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06/03, ÀS 10:30

Buffett conta como a Unilever rejeitou a Kraft Heinz

Geraldo Samor
Numa entrevista de três horas à CNBC semana passada, Warren Buffet deu detalhes sobre como a oferta da Kraft Heinz pela Unilever foi rejeitada.
 
Na conversa com a âncora Becky Quick, Buffett essencialmente atribuiu a rejeição a 'diferenças culturais' que teriam levado Alexandre Bhering, o sócio da 3G Capital que negociou com o CEO da Unilever, a interpretar o que era um ‘não’ como um ‘talvez’.
 
Abaixo, a transcrição do trecho da entrevista em que Buffett abordou o assunto.
 
 
Becky Quick: O que aconteceu?
 
Warren Buffett: O que aconteceu? Posso lhe dizer o que aconteceu. A maioria do que eu posso te dizer, eu posso te dizer com certeza, e há outras coisas que eu tenho que inferir. Mas Alex Behring, que é o chairman da Kraft Heinz e parte da 3G com Jorge Paulo ... eles e eu concordamos em fazer uma oferta amistosa pela Unilever se eles estivessem abertos a isso. E o Alex Behring foi a Londres — não sei há quanto tempo, talvez quatro semanas atrás ou quando quer que seja — e se reuniu com o CEO e teve uma conversa. Mais pro final da conversa, ele levantou a idéia de possivelmente fazer uma oferta. E ele não recebeu um sim, nem recebeu um não — o que ele teve foi uma conversa perfeitamente educada. E o CEO… na verdade, o Greg Abel, da Berkshire, o conhece há 20 anos, quer dizer, não tínhamos nada além de bons relatos sobre ele. Nós nos sentíamos bem a respeito isso. Então o Alex voltou e disse que não tinha sido expulso da sala. E [perguntou] se nós queríamos prosseguir. Então nós fomos vê-lo novamente, talvez duas semanas depois. E ele tinha uma carta que era um esboço de um acordo, que, se ele tivesse uma resposta neutra, ele entregaria. Mas se ele percebesse um sentimento negativo, ele não o faria. E ele foi lá e sentiu que obteve uma resposta neutra e, portanto, entregou a carta. Isso me lembra aquela velha estória sobre a diferença entre um diplomata e uma 'lady'. Não sei se você já ouviu isso ou não.

Quick: Não.

Buffett: Bem, se um diplomata diz ‘sim', ele quer dizer ‘talvez'. Se ele diz ‘talvez', ele quer dizer ‘não'. E se ele disser ‘não', ele não é um diplomata. Agora, se uma mulher diz ‘não', ela quer dizer ‘talvez'. E se ela diz ‘talvez', ela quer dizer ‘sim'. E se ela diz ‘sim', ela não é uma ‘lady’. [Nota: Buffett foi criticado pela analogia.] Então [o Alex Bhering] provavelmente ouviu um ‘talvez' e não sabia se isso estava vindo de um diplomata ou de uma senhora, essencialmente. [Risos] Quer dizer, é isso que as pessoas frequentemente recebem. Eu, pessoalmente, não lido com aquisições desta maneira. Eu só entro e digo: "Se você quiser que eu faça uma oferta, eu vou fazer. Se você não quiser, eu não farei. E, se eu fizer, eu vou te dizer um preço."  Mas na maioria das vezes há uma 'dança do acasalamento’ que vai muito além disso. Você ouve, "vou levar a proposta para o conselho", e tudo mais. E você está lidando com diferentes tipos de pessoas. Algumas pessoas são de culturas diferentes, são mais educadas do que outras, e assim por diante. Então o Alex tomou aquilo como um ‘talvez' e entregou esta carta esboçando um acordo para a Unilever. E foi dito que iria para o conselho. Bem, tornou-se muito evidente que a Unilever não queria esta oferta, dado o que saiu na imprensa dentro de alguns dias. Por um lado, vazou de alguma forma na quarta-feira anterior à sexta-feira. E aí no sábado, depois daquela sexta, eu recebi ligações indicando que a oferta não era bem-vinda. Eu disse: 'se não é bem-vinda'... — e o Jorge Paulo disse a mesma coisa — se não é bem-vinda, não há oferta. Só tínhamos intenção de apresentá-la se houvesse uma possibilidade.

Quick: Nunca foi pretendida como uma oferta hostil?

Buffett: Não. Zero. E por outro lado, ela pode ter sido interpretada desse jeito. Não posso discutir. Se as pessoas dizem, “Não gostamos do preço”, isso normalmente é um ’talvez’. 
 
Quick: Foi isso que foi dito neste caso?
 
Buffett:  Bem, isso é o que foi dito na primeira vez, não foi dito na segunda vez.  … Quando eu recebi a ligação de um representante da Unilever no sábado, eu disse, ‘se você está ligando a respeito de uma oferta hostil, você não tem que se preocupar com isso, porque não há oferta. Mas se você está negociando — o que as pessoas frequentemente fazem quando levam para o conselho e dizem, não é suficiente…'  bom, eu não sou um negociador, mas o pessoal da 3G é... Mas assim que nós três soubemos que a oferta era vista como hostil, não tínhamos intenção nenhuma intenção de prosseguir e eu acho que o pessoal da Unilever entende isso agora.
 
Quick:  Você está dizendo que o CEO da Unilever foi polido demais?
 
Buffett:  Pode ser isso... e pode ser diferenças em cultura, até na forma como as pessoas se expressam.  O inglês é a segunda língua do Alex. Eu já vi mal-entendidos antes.  Esta é uma das razões pelas quais que eu gosto de fazer a coisa do meu jeito:  quando eu fui à Precision Castparts [comprada pela Berkshire] e Mark Donegan, eu simplesmente disse, ‘eu vou fazer uma oferta se você quiser que eu faça, e se você não quiser, esqueça,’ mas geralmente não é assim que acontece, há uma dança.
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